No descruzar das ruas, por onde navego sem capitão a bordo, encontro um adversário à altura: o tempo. Sem ele, onde estaria o sonho de o combater? de lutar contra a sua deflagração; ao ponto mais lato do universo: O meu destino. A viagem que comecei há alguns milénios atrás nunca terá o momento de repouso... onde possamos dizer que pelo menos metade do percurso foi alcançado.
A loucura assume-se como única alternativa plausível. O gosto pelo fim excita-me as papilas gustativas: "a beleza da morte, que todos adoramos" pousa em mim como a folha caída, da árvore confusa por entre o trânsito de automóveis.
Eternos espectadores do vazio sentimental, associamos as nossas necessidades vitais a ornamentos de vidas replectas de erros de caligrafia, de sintaxe, ortográficos, numa falta de sexo demasiado expressiva, demasiado presente, demasiado valorizada.
A falta de virtude ninguém caracteriza. Ninguém lamenta. Ninguém vê.
Pois eu quero apontar o dedo a alguém de horrível, de lastimável, de calamitoso: Eu!
Penso ter o direito de ser, de desejar, de dar! Nada disto é possível, no mundo que criei em meu redor. Nada me pertence, nada se junta a mim, que possa fazer sentido: sendo quem sou.
A vontade de superar o status quo depende apenas de um factor impossível de gerir: depende apenas de mim.
Hoje o silêncio, amanhã o desprezo; como podemos ter tempo para mais do que para o ódio?
Que merda eu sou, e portanto vivo. Não por muito mais tempo, prometo.
A.
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