sábado, 23 de agosto de 2014

mais perto

Sem querer descontar o que se tem passado nos últimos tempos,
nao vejo como poderia ter alguém uma visao mais que limitada sobre a vertente pálida das palavras encontradas
para deter o teu movimento, alcancar o teu ser antes do teu corpo fugir.
Todo o espaco vazio entre os dois passos que nos distanciavam foi
mais que suficiente para enraivecer o meu desejo de te manter mais perto.
Sim, mais perto, sem que ar se consiga entremeter entre nós. Nem sombras nem vozes.

A.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

a chama viva

Nem por estar de acordo com o que se passa à minha volta não tenho o direito de deixar o vivido consumir o estado de euforia sentido quando me deixo guiar por nada e ninguém. Acabando sempre por me encontrar deixado de parte no meio da multidão sem nada para contar, todos deixam os pontos desfilar e até mostrarem-se como nem eles acreditam valorizar de modo tão egoísta e perdido na noite das memórias sublimes, onde o pai e a mãe são os pontos mais cardinais do ser enquanto ser. Não deixo estas palavras sem referenciar a viagem do lado da estrada onde alguns perdem o equilíbrio; até ao ponto mais distante da margem do rio, no meio da ponte que nos transporta de onde queremos fugir para onde não queremos ficar. Sem nunca olhar para trás durante os 17 passos que nos transportam para o lado mais selvagem da criação e distante da razão, ao chegar olhamos inevitavelmente para esse ponto distante que é o ponto de partida. As questões são inúmeras tanto do ponto de vista de tentar perceber por que razão deixamos esse lado tão confortável da estrada sem equilíbrio, mas também perguntas mais cruas como quem é essa pessoa que estava lá, naquele sítio, naquele momento? Quem era eu naquela altura?
A diferença e tão forte, crua. A evolução nunca é de forma científica controlada por mim, eu não sou controlador, sou improviso. Na música é o mesmo, nunca soube tocar música de outros, mas adoro tocar música e inventar. Cada vez que pego num instrumento não sei tocar músicas como todos os que andam nesta cidade e são tão bons músicos..sou incapaz de tocar tão bem quanto eles, mas tenho um prazer enorme em inventar no momento. Não gosto de shred. Não gosto de repetir nem de copiar. Isso não se vê só na música, também se vê na minha forma de viver. Enganei-me decerto, durante as várias escolhas que tive de fazer ate chegar aqui, mas não sei se poderia ter chegado tao longe nem desta forma que hoje me caracteriza. Pensando bem, que é que pode dizer ser quem queria ser há uns anos atrás? Eu desde o início que tenho planos para mim mesmo, posso não incluir as pessoas mais importantes da minha vida nesses planos, mas não é por maldade nem falta de amor, é simplesmente que não posso ser influenciado pelo mundo exterior para eu ser eu próprio. Se fôssemos todos assim limitados a tomar as nossas decisões, então não ter haveria mundo como o conhecemos hoje. Os descobrimentos foram feitos por pessoas que sacrificaram tudo e todos, deixaram a vida para trás e foram para o desconhecido. Sem se questionar sobre o certo ou melhor para ser feito, o que eles sabiam era que tinham de o fazer, tinham de ir embora! A viagem muitas vezes não começa quando passamos a soleira da porta da casa dos pais, mas sim anos antes, quando se sonha com o futuro, quando nos projetamos num futuro glorioso e irreal que nos vai elevar os padrões a níveis incríveis, obrigando-nos a ser melhor, mais forte e mais lutador. Quando puto, criei duas entidades que me acompanharam durante estes anos todos. Essas duas entidades são o Eu do futuro nas duas perspetivas: o Eu que seguiu a música e é então um vulto cabeludo, vestido de preto que viveu todos os meus sonhos em relação à música; o outro é o Eu que seguiu a engenharia e é hoje um neard, informático, que lê e sabe muitas coisas sobre vários temas. Desde puto que os meus amigos imaginários me influenciam, me seguem e me guiam, dando conselhos sobre quais as decisões tomar e qual o rumo a dar a minha vida. Desta forma, o eu ajuda-me duplamente e de forma diversificada. A verdade é que não evoluí sendo nenhum destes dois seres, acabei por ser o ente intermédio que tem um pouco de cada um deles sem nunca chegar bem a ser nenhum de forma completa. É pena, gostava de ser cabeludo. A minha carreira na música é um falhanço completo. Nada está perdido, visto eu ver a música como forma artística de criação que nunca deve ser influenciada pelos media, tenho todas as possibilidades de começar a dedicar-me mais seriamente a esta minha paixão. Procurar aulas, pois não me sinto confiante com uma guitarra ou bateria ou baixo numa banda; viu-se como correu mal com os “O Mocho”. Consegui na altura dar a desculpa do mal-estar emocional, o que até poderia ser verdade a 40%, mas a verdade e que 1) o projecto interessava-me medianamente e 2) não consegui trabalhar as músicas como deve ser. Teria sido preciso um método mais sério para pegar no projecto, aquilo até poderia ter corrido muito melhor, mas a preguiça e falta de entusiasmo deitou tudo por água abaixo. Depois de ter aulas, o mais importante é encontrar alguém com quem tocar, talvez começar com uma banda de covers. O importante é tocar e manter viva a chama.

A.