Falemos de filmes.
Estes últimos dias têm-me levado a muito, tanto em locais fechados que me ocultam a lua como em espaços abertos que me desprotegem do mal.
A escolha de prosa nem sempre é natural e a distância leva-me a concentração puramente egoísta.
As noites/tardes/manhãs passadas em casa nem sempre foram positivas e levaram-me a dor e contorções físicas e emocionais incomportáveis.
Mas nem tudo é merda. Há os filmes que me acompanharam e que me levaram a outros sítios, longe de mim.
Quando um filme é feito, ninguém sabe a intenção do porquê da sua criação nem como será recebido, nem por quem, nem em qual estado.
Primeiro houve a história de amor:
Atonement
Que me deixou de rastos.
Como é possível escrever algo tão triste? Será que a vida é assim tão cruel? O que será que nos aguarda, nestes próximos dias do resto das nossas existências?
Mas adorei o filme.
Tive de fugir de registo, e refugiei-me na guerra do vietnam:
Apocalypse Now - Redux
Filme que já tinha visto há alguns anos atrás, mas que devo confessar não me tocou particularmente e não tenho recordações de ser tão bom! Fiquei colado à história destes pobres diabos em que o preço das suas vidas é perto de nada e se aventuram em algo que não compreendem muito bem.
O papel de Brando é impressionante. A personagem é incrível.
O filme seguinte vi por acaso, na TV e sem conhecer o filme. Fui pesquisar e descobri que é um Coppola:
The Rainmaker
Fiquei a ver o filme porque comecei a ve-lo no momento da argumentação do advogado novo (Damon) (fdx, odeio advogados) que mal sabia o que fazia, mas afinal mostrou ser muito bom e fazer o que ninguém estava à espera dele.
Depois fugi para um clássico:
Bram Stoker's Drácula
É inegável que esta personagem é-nos a todos nós, pessoas-sensíveis-ao-lado-negro-da-força :), deveras importante.
De facto esta é uma n-ésima vez que vejo este filme. Já não me lembrava de alguns detalhes e rever é muito facil.
Adoro a noite neste filme, o escuro, o nevoeiro, o silêncio, o barulho, o medo, o terror. E tudo, tudo abraçado por amor. Amor do Conde por uma mulher que Deus lhe tirou.
Esta não é mais do que uma história de amor. Aquilo que pode criar as coisas mais belas e mais terríficas deste mundo.
Estamos todos condenados...
O filme que seguiu foi um que andava para ver há já algum tempo, mas não o via porque queria ler o livro antes...mas caguei nisso e vi o filme anyway...
The Reader
Bem. Trata-se aqui, mais uma vez, de uma relação entre duas pessoas. A relação não é o que poderíamos classificar de "usual". Um dos protagonistas tem um comportamento muito distante e isolado. Há sentimento, sente-se. Mas algo de outro diverge nesta relação que se cria entre estas duas criaturas.
Descobri-lo é chocante. Pelo menos para mim, que andava a ler sobre esse tema (WWII) e fiquei colado ao sofá.
A ver, para quem nunca o fez.
Continuei com o tema, e revi um dos mais bem recebidos filmes sobre o tema:
Schindler's List
E devo dizer que o filme é forte.
Ok é feito por norte-americanos e poderia ser uma visão longínqua/romântica do que realmente se passou, mas devo confessar que o meu complexo com os estados-unidos está a passar e este filme é sem dúvida dos melhores que foram feitos sobre o tema (e não gosto particularmente de Spielberg).
Há imagens fortíssimas. Há diálogos marcantes. Que pedir mais?
A cena da menina de vermelho. Mas ainda mais forte: quando levam as crianças do campo de concentração e passam em frente ao grupo de mulheres, que sendo algumas as mães, desatam a correr atrás do camião, esquecendo as ameaças das armas dos soldados e arriscando as suas vidas desesperadamente.
Fdx, espero nunca saber o que é algo como a WWII...
Depois disto tudo, precisei de definir o que é a vida:
The Tree of Life
Fdx, que filme! Adorei! desculpa B :)
Há momentos que ninguém nos tira. O que vivemos, define-nos. E tudo o que somos é a consequência de tudo o que se passou antes de nós.
Vivemos neste mundo, da forma que somos e conhecemos a realidade que chegou até nós porque tudo se criou dessa forma.
Somos apenas um ponto duma frase que está a ser escrita e que nunca terá fim.
O que sentimos: o prazer, o amor, a dor, a compaixão... é-nos dada pelos nossos antepassados, pela vida que passou por eles e se cruzou por milhões de outras criaturas que influenciam a nossa existência e nos fortalece e torna-nos, a cada geração, entidades mais perto daquilo que nos levará ao nosso fim.
Depois disso, a vida continuará. Talvez não aqui,nem por aqui perto, mas algures...de certo que o tempo não irá parar. Apenas o nosso arfar por uma vida efémera. Mas obrigado pela dádiva.
O filme deste fim-de-semana foi
Carlito's Way
Aí está um filme que tinha deixado de lado, na minha altura dos "grandes" do pacino. (Godfather, Scarface, Heat)
Mas devo dizer que fiz mal. Se por um lado adorei os três filmes acima referenciados, este não lhes fica muito atrás.
A personagem de Carlito é muito interessante e o desenrolar da história colou-me ao ecrã.
A ver!
E finalmente, o último da lista mas não o pior: Pokolenie (A Generation)
Decidi dar um salto à cinematografia polaca da década de 50 e claro o nome que salta logo à vista é o de Andrzej Wajda.
Tenho a box dos três filmes de guerra, da trilogia dele. Começo, claramente pelo primeiro, que trata de um jovem que se alista na resistência contra a ocupação nazi (tema recorrente, né? :) )
Nunca vi tantos filmes norte-americanos nem filmes tão recentes.Que estranho.
A.