A Versus foi uma coisa fantástica que aconteceu na minha vida, simplesmente porque concilia a escrita e o metal, duas coisas que adoro e fazem-me sentir bem/eu-próprio.
A qualidade da minha escrita tem-se desenvolvido e consigo ter mais controlo sobre o que escrevo e mediar entre o momento de ruptura/escape e de foco sobre os temas ou a banda. É verdade que me falta ainda desenvolver a capacidade de inserir o trabalho no momento/género/história que o rodeia para transmitir o máximo de o conhecimento ao leitor e desta forma transmitir uma curiosidade ou recomendar uma não-terda-de-tempo sobre o tema. Quero evoluir para esse objectivo mas também manter a característica de "delírio" que insiro no texto. Faço-o ao mesmo tempo que ouço a música, como se estivesse em momento de transe onde as palavras surgem por inspiração e influência da música que ouço. Muito do texto que escrevo é completamente influenciado pela música; um dos momentos mais criativos que me lembro de ter vivido foi a escrita da crítica ao álbum dos franceses Svartcrown, "Profane", que me deixou completamente fora de mim.
Aqui deixo, em tons de vénia a eles e ao momento, o texto integral.
«Intrigante.
A palavra surge sem que tenha sequer pensado nela. Desde a capa do álbum que me
deixa uma sensação de mal-estar, até aos primeiros sons que me chegam aos
ouvidos. A sensação é a de ter caído num filme de terror, não os clássicos slachers… mas mais à imagem de Ichi, the
killer. “Genesis Architect” tem dificuldade em meter-se em palco, sucumbindo a
golpes deferidos pelo ar renovado e santificado do habemus papum. Quando se estabelece, a primeira longa faixa retêm o
folgo do que a rodeia. No pequeno espaço entre os dois pads dos headphones que
me atentam da queda, fico hipnotizado sem saber como me libertar. Sem sujidade
no som, sem danificar a clareza do domínio, os gauleses por detrás deste meu sic stagnata, param o tempo, redefinem o
medo, só voltando a mim no down beat de “Inter.
Virus.
Human”. O
terror apenas começou, quando “A place of
hatred and threat” paira no ar. Não poderia haver forma mais desfigurada de
me arrancar da realidade, com os gritos de terror e medo que assolam a intro
desta faixa. “Profane”, a faixa-mãe é
precedida por um momento de um desespero montante, igualável em selvajaria
apenas pelo medo do desconhecido, mantido pela fragrância do terror, à
temperatura fria do ar, sem luz, sem esperança de salvação. Ele não está por
perto, mas isso não significa que estamos a salvo. A chacina acontece com “The Therapy of Flesh” sem que me
aperceba, já nem importanto a dor, nem sendo comparável ao terror já criado,
sinto-me levar. Afinal a morte não é pior do que uma vida levada a temê-la.»
in Versus Magazine, Abril 2013
A.