quinta-feira, 9 de março de 2023

A alguns passos

Por resistir, trago comigo a arma

Que não deixará que todos caiam 

Sempre que queiras, deixa-os ir

Para onde vão as almas sem nome


Um passo de cada homem

Torna o destino mais longe

Para que se esqueça o cansaço

Rimos de nós mesmos


Ali apenas a alguns passos

Fica o fim da nossa história 

Não tem nem um aviso 

De tão grande o perigo




quarta-feira, 15 de março de 2017

Por Dentro E Por Fora

É quando nada faz sentido que se juntam as condições propícias para a aventura do dia-a-dia. A opção mais rasca do menu dia. Agora a vida separa-se entre o que está dentro, cá dentro e tudo o que está aqui, à minha volta, lá fora. O constante ressentimento, o deixar estar que já vou e nada acontece. É assim. E agora que quando o novo olhar se abre, se chora a boca às 4 da manhã e se rasga o silêncio do sonho de carros a rodar no ar sobre eles mesmos, sujeitos a forças demoníacas influenciadas por cortes de dedos pelo cão caçado pelo presa. Nada se assemelha ao verdadeiro amor. O sacrifício do que sujeita a deixar de existir para poder pelo menos contemplar a existência da admiração pelo outro. Opções. Nem sempre acaba assim​. Quase sempre de outra forma. No virar da página não somos mais do que a palavra que fica pra trás, numa página do capítulo lá atrás. Entretanto, enquanto a luz incide sobre nós e somos lidos pelo aquele olhar, sempre nós podemos gabar de ser o centro das atenções. Obrigado.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

andar e falar

O meu apetite em conhecimento tem-se agora voltado para podcasts de gente que fala de tudo e nada, mas essencialmente daquilo que lhe apetece falar. A mim sempre me apeteceu falar, apesar de no dia-a-dia não ser uma pessoa de muitas palavras. Sinto que iria ganhar imenso em usar um formato diferente da escrita (que tenho aumentado imenso com a Versus Magazine - http://www.facebook.com/versusmagazinepage); tenho tido muita curiosidade sobre a arquitectura da língua portuguesa (ou gramática); o falar e aprender inglês diariamente traz-me curiosidade sobre a minha própria língua.
Descobri estes podcasts através de emissões de rádio francesas que sigo como a app TunedIn; mais concretamente: estava farto de ouvir as publicidades da emissão que ouço em directo, logo procurei se era possível aceder aos podcasts das emissões em questão: sim, é possível - adeus publicidade! Logo descobri que a France Inter e France Culture tinham podcasts interessantes. Uma rápida pesquisa no motor de busca (aquele que não deveria usar) aconselhou-me uns podcasts para cada tema: comédia, história, sociedade e notícias (está a faltar-me alguma) e não sei porquê chamou-me a atenção os podcasts de comédia (que é um tema que geralmente não me agrada, principalmente porque é difícil achar piada a cómicos - mesmo sendo eu uma pessoa que ri facilmente no dia-a-dia; penso eu), onde descobri o podcast chamado "Si tu écoutes, j'annule tout" onde um cómico vem diariamente comentas as notícias da política em França. Mais do que comentar, o humor é tão perspicaz e criativo que fiquei imediatamente fã do programa e ouvi duas dezenas de emissões de rajada (cada com uma duração de 3 a 4 minutos).
Tudo isto me fez realizar que se calhar tinha acabado de descobrir uma fonte incrível de informação e cultura: todos estes temas à distância de um clique!
No seguimento da minha descoberta encontrei podcasts que não estão disponíveis no TunedIn mas sim através do soundcloud (descobri que havia uma modalidade paga da comunidade - não fazia ideia!) e com o SC descobri os belgas do "Comedy News Weekly" mas devo dizer que não encontrei (ainda) nada que me desse muita vontade de continuar a explorar - principalmente o facto de falarem mal do Djamel, o que não percebo muito bem, acho-o muito bom.

E então a seguir descobri algo de único!

O podcast de um tal de Navo, com uma iniciativa chamada "Marché, parlé", trata-se de um podcast onde ele anda na rua e grava o seu discurso espontâneo do momento, não tendo controlo sobre onde o monólogo o irá levar. Achei isto fantástico, principalmente o facto de outras pessoas se juntarem ao "movimento" e publicarem o seu "Marché, parlé" (não sei se Navo é o autor do conceito, mas penso que foi uma influência para outros fazerem o mesmo). E penso que também o irei fazer, mas sem o publicar. Bem, talvez aqui neste blog, visto ninguém o ler e ser quase-pessoal-e-intransmissível :)

Quando ando falo muito comigo mesmo, o que acredito deva acontecer a toda a gente; mas gostava de daqui a uns anos ouvir o que me passava pela cabeça anos antes, quais as palavras e expressões que usava.... talvez sinta a diferença entre eu e eu. Deve ser giro descobrir algo que pensamos saber, mas não temos noção da enorme margem delta entre o presente e o passado.

A.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

a música a começar

O bom é que não foi mentira. Arranjei banda; uns moços com quem tocar, partilhar ideias e muitas horas de experiências musicais. Somos quatro; os primeiros dias trabalhamos mais umas covers que cada qual ia sugerindo, mas agora a cena passa mais por compôr. Trazer ideias e misturar o que cada um vê para onde devemos ir. Isso é óptimo. Hoje consegui também arranjar a minha primeira aluna de guitarra. Tenho de fazer o trabalho de casa e procurar a melhor forma de lhe ensinar as coisas sem que se assuste com a dificuldade.

até breve.
A.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

ui 2015

Ui, já Maio a mais de meio e este é o meu primeiro post de 2015. bom ano a todos. Não é como se alguém estivesse à espera de receber os meus votos de um bom ano, mas fica aqui a ideia.

Estes últimos tempos tenho pensado muito na música. na composição, em arranjar banda.

A ver como isso corre.
A.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

medo de

tenho medo. medo do momento em que a tua presenca traga a desordem e a luz acabe por descalcar a forma da tua silueta sobre a minha inexperiencia de mestre na absorcao da reessidiva malvadez do meu egoísmo.
Nem por mais perto que consiga chegar a ti, nada me abstece da falta de mim. Falta-me o mim em mim, para me sentir eu. Nem que para isso tenha de ser alguém que nao passe por outra coisa que o falso. o absurdo. Hoje temos cá a tomada de posse do rasca, como sénior cenas coiso mor. o que vai desengatar isto tudo e por tudo a leste. Nunca sobreviveremos a tal mudanca e portanto estas sao as minhas ultimas palavras enquanto que ser quase incabado mas quase acabado. O acabado que trata de si como o cao poe ovos a estrelar na mesa da cozinha e que passa por lá o chefe de família apressado para a reuniao com o director de servico, que poderá assinar a causa da perda da sua vida pessoal. casamento filhos e cao, tudo pó caralho. nem penses que a gaja nao saiba, mas está-se a cagar e nem lhe ocorre a ideia de tal vir a ser um problema. de qualquer forma ela safa-se, ainda é boa e atrai praí um tipo qualquer que a mantenha durante uns anos e depois manda-o foder-se. Entretanto quem se fode é o cao, esses sao sempre os que sao fodidos no final. Nem comida no prato nem casota seca. a puta da chuva cai lá dentro e de noite é um frio do caralho. mais farto desta situacao de merda. Vou masé pirar-me antes que a reuniao acabe. hasta.
A.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

gatos e a dor


As pessoas que tomam decisoes na sua vida totalmente influenciadas pelo ganho monetário que está implícito, nao tem nada dentro delas. Nao sabem qual é o prazer nas pequenas grandes coisas que a vida como ela-própria tem para oferecer. Desconhecem o prazer de ler um bom livro, de ter um momento onde se aprende algo, ter uma oportunidade de se maravilhar com a profundidade de uma obra num museu, de ter um choque com a beleza. Ignoram o prazer de sentir o vento gelado nas manhas de 5 graus centígrados na mota, a caminho do trabalho. O prazer de ter um jantar com os amigos, de rir ás gargalhadas, de gritar nas ruas da cidade. De poder correr no parque até as pernas nao conseguirem andar mais ou andar de bicicleta até o peito explodir e ter de parar para respirar. De aprender a tocar um instrumento, de ajudar alguém na rua a encontrar o seu caminho, de fazer voluntariado para ajudar os que nao sabem se vao conseguir comer qualquer coisa no dia a seguir. Nunca poderao perceber o porque das outras pessoas fazerem coisas diferentes como se vestirem de forma diferente e dar nas vistas, de deixarem crescer o bigode para o movember. Mas também nao iriam perceber a razao que faz as pessoas interessarem-se por coisas que nao sao tao simples de perceber, como música barulhenta, línguas mortas, objectos velhos, teatro de 3 horas de diálogos, filmes a preto e branco ou sem accao, viagens a aldeias do interior ou a países sem praia nem sol. Mas principalmente nao mantem uma conversa interessante. Nos momentos que temos a partilhar, nada se transmite, nem uma pequena palavra sobre algo de interessante se torna visível ao longe, tudo se resume a delitos esporádicos da mente vazia sobre actos igualmente vazios. Momentos despresíveis, imaculados de qualquer profundidade ou reflexao. O meu cérebro torna-se mais mole a cada interaccao entre nós, perco o foco do importante nesses momentos que partilhamos. Nunca saberao o que é arte, sacrifício, dedicacao, amor, iluminacao, descoberta. Ah, como é bom o momento da descoberta e compreensao. De todos os seres que populam este planeta, e sabe ele quantos já somos, os que tem acesso fácil á cultura e apenas falam de vídeos de gatos deveriam ser abatidos. Sofrer pra que?
A.