tenho medo. medo do momento em que a tua presenca traga a desordem e a luz acabe por descalcar a forma da tua silueta sobre a minha inexperiencia de mestre na absorcao da reessidiva malvadez do meu egoísmo.
Nem por mais perto que consiga chegar a ti, nada me abstece da falta de mim. Falta-me o mim em mim, para me sentir eu. Nem que para isso tenha de ser alguém que nao passe por outra coisa que o falso. o absurdo. Hoje temos cá a tomada de posse do rasca, como sénior cenas coiso mor. o que vai desengatar isto tudo e por tudo a leste. Nunca sobreviveremos a tal mudanca e portanto estas sao as minhas ultimas palavras enquanto que ser quase incabado mas quase acabado. O acabado que trata de si como o cao poe ovos a estrelar na mesa da cozinha e que passa por lá o chefe de família apressado para a reuniao com o director de servico, que poderá assinar a causa da perda da sua vida pessoal. casamento filhos e cao, tudo pó caralho. nem penses que a gaja nao saiba, mas está-se a cagar e nem lhe ocorre a ideia de tal vir a ser um problema. de qualquer forma ela safa-se, ainda é boa e atrai praí um tipo qualquer que a mantenha durante uns anos e depois manda-o foder-se. Entretanto quem se fode é o cao, esses sao sempre os que sao fodidos no final. Nem comida no prato nem casota seca. a puta da chuva cai lá dentro e de noite é um frio do caralho. mais farto desta situacao de merda. Vou masé pirar-me antes que a reuniao acabe. hasta.
A.
there's so much beauty in the world, so much things to discover, so much people to know, so much places to see, so much love to give, and so much left ...
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
gatos e a dor
As pessoas que tomam
decisoes na sua vida totalmente influenciadas pelo ganho monetário que está
implícito, nao tem nada dentro delas. Nao sabem qual é o prazer nas pequenas
grandes coisas que a vida como ela-própria tem para oferecer. Desconhecem o
prazer de ler um bom livro, de ter um momento onde se aprende algo, ter uma
oportunidade de se maravilhar com a profundidade de uma obra num museu, de ter
um choque com a beleza. Ignoram o prazer de sentir o vento gelado nas manhas de
5 graus centígrados na mota, a caminho do trabalho. O prazer de ter um jantar
com os amigos, de rir ás gargalhadas, de gritar nas ruas da cidade. De poder
correr no parque até as pernas nao conseguirem andar mais ou andar de bicicleta
até o peito explodir e ter de parar para respirar. De aprender a tocar um
instrumento, de ajudar alguém na rua a encontrar o seu caminho, de fazer
voluntariado para ajudar os que nao sabem se vao conseguir comer qualquer coisa
no dia a seguir. Nunca poderao perceber o porque das outras pessoas fazerem
coisas diferentes como se vestirem de forma diferente e dar nas vistas, de
deixarem crescer o bigode para o movember. Mas também nao iriam perceber a
razao que faz as pessoas interessarem-se por coisas que nao sao tao simples de
perceber, como música barulhenta, línguas mortas, objectos velhos, teatro de 3 horas de diálogos, filmes a
preto e branco ou sem accao, viagens a aldeias do interior ou a países sem
praia nem sol. Mas principalmente nao mantem uma conversa interessante. Nos
momentos que temos a partilhar, nada se transmite, nem uma pequena palavra
sobre algo de interessante se torna visível ao longe, tudo se resume a delitos
esporádicos da mente vazia sobre actos igualmente vazios. Momentos
despresíveis, imaculados de qualquer profundidade ou reflexao. O meu cérebro
torna-se mais mole a cada interaccao entre nós, perco o foco do importante
nesses momentos que partilhamos. Nunca saberao o que é arte, sacrifício,
dedicacao, amor, iluminacao, descoberta. Ah, como é bom o momento da descoberta
e compreensao. De todos os seres que populam este planeta, e sabe ele quantos
já somos, os que tem acesso fácil á cultura e apenas falam de vídeos de gatos
deveriam ser abatidos. Sofrer pra que?
A.
sábado, 23 de agosto de 2014
mais perto
Sem querer descontar o que se tem passado nos últimos tempos,
nao vejo como poderia ter alguém uma visao mais que limitada sobre a vertente pálida das palavras encontradas
para deter o teu movimento, alcancar o teu ser antes do teu corpo fugir.
Todo o espaco vazio entre os dois passos que nos distanciavam foi
mais que suficiente para enraivecer o meu desejo de te manter mais perto.
Sim, mais perto, sem que ar se consiga entremeter entre nós. Nem sombras nem vozes.
A.
nao vejo como poderia ter alguém uma visao mais que limitada sobre a vertente pálida das palavras encontradas
para deter o teu movimento, alcancar o teu ser antes do teu corpo fugir.
Todo o espaco vazio entre os dois passos que nos distanciavam foi
mais que suficiente para enraivecer o meu desejo de te manter mais perto.
Sim, mais perto, sem que ar se consiga entremeter entre nós. Nem sombras nem vozes.
A.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
a chama viva
Nem por estar de acordo com o
que se passa à minha volta não tenho o direito de deixar o vivido consumir o
estado de euforia sentido quando me deixo guiar por nada e ninguém. Acabando sempre
por me encontrar deixado de parte no meio da multidão sem nada para contar,
todos deixam os pontos desfilar e até mostrarem-se como nem eles acreditam
valorizar de modo tão egoísta e perdido na noite das memórias sublimes, onde o
pai e a mãe são os pontos mais cardinais do ser enquanto ser. Não deixo estas
palavras sem referenciar a viagem do lado da estrada onde alguns perdem o
equilíbrio; até ao ponto mais distante da margem do rio, no meio da ponte que
nos transporta de onde queremos fugir para onde não queremos ficar. Sem nunca
olhar para trás durante os 17 passos que nos transportam para o lado mais
selvagem da criação e distante da razão, ao chegar olhamos inevitavelmente para
esse ponto distante que é o ponto de partida. As questões são inúmeras tanto do
ponto de vista de tentar perceber por que razão deixamos esse lado tão
confortável da estrada sem equilíbrio, mas também perguntas mais cruas como
quem é essa pessoa que estava lá, naquele sítio, naquele momento? Quem era eu
naquela altura?
A diferença e tão forte, crua.
A evolução nunca é de forma científica controlada por mim, eu não sou
controlador, sou improviso. Na música é o mesmo, nunca soube tocar música de
outros, mas adoro tocar música e inventar. Cada vez que pego num instrumento
não sei tocar músicas como todos os que andam nesta cidade e são tão bons
músicos..sou incapaz de tocar tão bem quanto eles, mas tenho um prazer enorme
em inventar no momento. Não gosto de shred. Não gosto de repetir nem de copiar.
Isso não se vê só na música, também se vê na minha forma de viver. Enganei-me decerto,
durante as várias escolhas que tive de fazer ate chegar aqui, mas não sei se
poderia ter chegado tao longe nem desta forma que hoje me caracteriza. Pensando
bem, que é que pode dizer ser quem queria ser há uns anos atrás? Eu desde o início
que tenho planos para mim mesmo, posso não incluir as pessoas mais importantes
da minha vida nesses planos, mas não é por maldade nem falta de amor, é
simplesmente que não posso ser influenciado pelo mundo exterior para eu ser eu
próprio. Se fôssemos todos assim limitados a tomar as nossas decisões, então não
ter haveria mundo como o conhecemos hoje. Os descobrimentos foram feitos por
pessoas que sacrificaram tudo e todos, deixaram a vida para trás e foram para o
desconhecido. Sem se questionar sobre o certo ou melhor para ser feito, o que
eles sabiam era que tinham de o fazer, tinham de ir embora! A viagem muitas
vezes não começa quando passamos a soleira da porta da casa dos pais, mas sim
anos antes, quando se sonha com o futuro, quando nos projetamos num futuro
glorioso e irreal que nos vai elevar os padrões a níveis incríveis,
obrigando-nos a ser melhor, mais forte e mais lutador. Quando puto, criei duas
entidades que me acompanharam durante estes anos todos. Essas duas entidades são
o Eu do futuro nas duas perspetivas: o Eu que seguiu a música e é então um
vulto cabeludo, vestido de preto que viveu todos os meus sonhos em relação à
música; o outro é o Eu que seguiu a engenharia e é hoje um neard, informático,
que lê e sabe muitas coisas sobre vários temas. Desde puto que os meus amigos imaginários
me influenciam, me seguem e me guiam, dando conselhos sobre quais as decisões
tomar e qual o rumo a dar a minha vida. Desta forma, o eu ajuda-me duplamente e
de forma diversificada. A verdade é que não evoluí sendo nenhum destes dois
seres, acabei por ser o ente intermédio que tem um pouco de cada um deles sem
nunca chegar bem a ser nenhum de forma completa. É pena, gostava de ser
cabeludo. A minha carreira na música é um falhanço completo. Nada está perdido,
visto eu ver a música como forma artística de criação que nunca deve ser
influenciada pelos media, tenho todas as possibilidades de começar a dedicar-me
mais seriamente a esta minha paixão. Procurar aulas, pois não me sinto
confiante com uma guitarra ou bateria ou baixo numa banda; viu-se como correu
mal com os “O Mocho”. Consegui na altura dar a desculpa do mal-estar emocional,
o que até poderia ser verdade a 40%, mas a verdade e que 1) o projecto
interessava-me medianamente e 2) não consegui trabalhar as músicas como deve
ser. Teria sido preciso um método mais sério para pegar no projecto, aquilo até
poderia ter corrido muito melhor, mas a preguiça e falta de entusiasmo deitou
tudo por água abaixo. Depois de ter aulas, o mais importante é encontrar alguém
com quem tocar, talvez começar com uma banda de covers. O importante é tocar e
manter viva a chama.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
o nunca encontrado mundo de ti
Após anos de consciência clara sobre o que sei ser o limite da minha existência, o fino limite entre o verdadeiro e a felicidade, dou um passo que me coloca em fora-de-jogo técnico e realiza o pior dos meus pesadelos e concretiza o que sempre considerei ser a definição do ser falhado, perdido, inconsistente, inútil, falso, fraco, incompleto, rasca, grave, perverso, inumano, palhaço, merdas, cabrão, ...em suma: eu!
foda-se!
A.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Mais de um ano de Versus, já
A Versus foi uma coisa fantástica que aconteceu na minha vida, simplesmente porque concilia a escrita e o metal, duas coisas que adoro e fazem-me sentir bem/eu-próprio.
A qualidade da minha escrita tem-se desenvolvido e consigo ter mais controlo sobre o que escrevo e mediar entre o momento de ruptura/escape e de foco sobre os temas ou a banda. É verdade que me falta ainda desenvolver a capacidade de inserir o trabalho no momento/género/história que o rodeia para transmitir o máximo de o conhecimento ao leitor e desta forma transmitir uma curiosidade ou recomendar uma não-terda-de-tempo sobre o tema. Quero evoluir para esse objectivo mas também manter a característica de "delírio" que insiro no texto. Faço-o ao mesmo tempo que ouço a música, como se estivesse em momento de transe onde as palavras surgem por inspiração e influência da música que ouço. Muito do texto que escrevo é completamente influenciado pela música; um dos momentos mais criativos que me lembro de ter vivido foi a escrita da crítica ao álbum dos franceses Svartcrown, "Profane", que me deixou completamente fora de mim.
Aqui deixo, em tons de vénia a eles e ao momento, o texto integral.
A qualidade da minha escrita tem-se desenvolvido e consigo ter mais controlo sobre o que escrevo e mediar entre o momento de ruptura/escape e de foco sobre os temas ou a banda. É verdade que me falta ainda desenvolver a capacidade de inserir o trabalho no momento/género/história que o rodeia para transmitir o máximo de o conhecimento ao leitor e desta forma transmitir uma curiosidade ou recomendar uma não-terda-de-tempo sobre o tema. Quero evoluir para esse objectivo mas também manter a característica de "delírio" que insiro no texto. Faço-o ao mesmo tempo que ouço a música, como se estivesse em momento de transe onde as palavras surgem por inspiração e influência da música que ouço. Muito do texto que escrevo é completamente influenciado pela música; um dos momentos mais criativos que me lembro de ter vivido foi a escrita da crítica ao álbum dos franceses Svartcrown, "Profane", que me deixou completamente fora de mim.
Aqui deixo, em tons de vénia a eles e ao momento, o texto integral.
«Intrigante.
A palavra surge sem que tenha sequer pensado nela. Desde a capa do álbum que me
deixa uma sensação de mal-estar, até aos primeiros sons que me chegam aos
ouvidos. A sensação é a de ter caído num filme de terror, não os clássicos slachers… mas mais à imagem de Ichi, the
killer. “Genesis Architect” tem dificuldade em meter-se em palco, sucumbindo a
golpes deferidos pelo ar renovado e santificado do habemus papum. Quando se estabelece, a primeira longa faixa retêm o
folgo do que a rodeia. No pequeno espaço entre os dois pads dos headphones que
me atentam da queda, fico hipnotizado sem saber como me libertar. Sem sujidade
no som, sem danificar a clareza do domínio, os gauleses por detrás deste meu sic stagnata, param o tempo, redefinem o
medo, só voltando a mim no down beat de “Inter.
Virus.
Human”. O
terror apenas começou, quando “A place of
hatred and threat” paira no ar. Não poderia haver forma mais desfigurada de
me arrancar da realidade, com os gritos de terror e medo que assolam a intro
desta faixa. “Profane”, a faixa-mãe é
precedida por um momento de um desespero montante, igualável em selvajaria
apenas pelo medo do desconhecido, mantido pela fragrância do terror, à
temperatura fria do ar, sem luz, sem esperança de salvação. Ele não está por
perto, mas isso não significa que estamos a salvo. A chacina acontece com “The Therapy of Flesh” sem que me
aperceba, já nem importanto a dor, nem sendo comparável ao terror já criado,
sinto-me levar. Afinal a morte não é pior do que uma vida levada a temê-la.»
in Versus Magazine, Abril 2013
A.
domingo, 9 de março de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
a biblia, deus e os animais
sempre que me falam de deus, ou ouço a palavra precocemente atirada em
locuções diárias, a interpretação que faço é que se trata de uma reação verbal ou diria até que se trata de um hábito que se tem de herança dos nos antepassados cristãos. Nunca imagino que as pessoas realmente acreditam em deus enquanto homem físico no céu a olhar para nós e nas várias entidades que o rodeiam, que acreditam em adão e eva e na arca de noé. jesus! É particularmente interessante que alguém acredite na história da maçã oferecida pela costela-de-gajo-transformada, tão claramente irreal e já quase refutada pela degeneração do património genético e pela evolução dos seres na vida. Há quem não acredite na teoria da evolução, de certo que poderá ser questionada e quem sabe também refutada ou alterada/afinada mais tarde, mas acreditar na criação do mundo em alguns dias por um ser que surge do nada sem explicação, já isso é mais incrível para mim. O facto de nos questionarmos é porque não somos dignos da divindade e que as forças de satanás movimentam-se no nosso espírito para nos fazer virar para as forças do mal. Tal e qual um discurso de uma seita. Sim porque acho totalmente desapropriado uma religião que defende a existência de deus, faça a invenção de uma criatura diabólica, um total-oposto do divino, que nos manipula e do qual a religião irá nos salvar (se tivermos fé, claro). Não há questão que se possa colocar (se deus criou o mundo, quem é que criou deus? se deus é todo poderoso e criou tudo, porque é que precisou de tirar uma costela a adão para fazer eva? se deus é todo poderoso, porque é que precisou de 6 dias de trabalho e ainda por cima um de descanso?) sem que sejamos considerados como limitados na compreensão de toda a lógica da questão. Somos postos de parte porque não conseguimos alcançar, somos seres primitivos, indignos de pertencer ao grupo dos iluminados que sabem a verdade, e mais do que a saber: compreendem-na. Somos rebaixados e postos num patamar lá bem em baixo, o patamar dos que questionam, dos que se interrogam, dos que pensam e fazem questões desapropriadas. A bíblia é considerada como a verdade absoluta e tudo o que está escrito nela é verdade. Vêm profecias onde eu vejo bitaites, vêm provas onde eu vejo dúvidas, vêm razão onde eu vejo manipulação. O livro deve ser visto como metafórico e não levado à letra, porque contem barbaridades (a sério? um barco com todos os animais? e um mundo 2.0!?) A bíblia não fala em muita coisa que aconteceu durante os milhões de anos que sabemos que o mundo tem; foi escrita antes e depois de cristo na terra, por várias pessoas, com interpretações diferentes e com histórias que foram acrescentadas, outras alteradas e muitas selecionadas. A lista de eventos de que é constituída tem forma de eventos em sucessão incompreensível que ganham forma de mensagens para controlar a opinião e a mentalidade das pessoas. A mensagem é de devoção, perdão e submissão; o comportamento esperado pelas maiorias para a fácil colheita das almas perdidas. O império cresceu e tornou-se no mais importante de todos. Só vemos o que queremos ver. Eu próprio só vejo o que quero ver, com este meu feitio de questionar e quase agredir com mensagens de heresia, torno-me num mentecapto incapaz de compreender o mundo espiritual e de acreditar em verdades intangíveis a este mundo físico, frio, sem valores, materialista, capitalista, egoísta, solitário, virado para o ganho pessoal, para a individualidade, para o isolamento e exclusão. Um mundo que caminha cada vez mais para o atirar para o lado o que não é lucro; frase de algures: "só faço coisas que me tornem mais rico, mais importante ou mais forte, senão não tenho tempo para o fazer"; Os valores humanos são algo que não se vê em todo o lado, quem os tem, tem a maior riqueza que se pode alcançar ao pisar este mundo, pois a nossa vida passa pelos outros e pelo que fazemos para tornar este mundo um sítio mais suportável de se viver.
Boa sorte para o resto,
A.
domingo, 19 de janeiro de 2014
As viagens de autocarro entre a minha cidade natal e a cidade que me acolheu durante sete anos
As viagens de autocarro entre a minha
cidade natal e a cidade que me
acolheu durante sete anos produziu em mim uma mudança; Ao adormecer com o
movimento incessante e o som de motor como ruído de fundo, a música que
ouvia para ocultar as conversas de circunstância dos outros passageiros
tomou-me de assalto. Dei por ela, estava eu agarrado a uma sonoridade
calma e introspetiva, onde, se ouvida de outra forma, teria sido por
mim desprezada. Tudo começou com a necessidade da musica ser calma e
sem solavancos (já chegavam os do autocarro) dirigindo-me assim por
estilos musicais tais como a pop (sempre por mim odiada até então), o
folk, alguma soul e muito jazz. A porta que se abriu sobre o jazz fez-me
descobrir vários artistas e géneros e fez-me re-sentir um prazer enorme
sobre o acto de exploração e descoberta da música, como há uns anos que
não sentia.
Trata-se de um género musical que se sente ser muito afectado
pelas décadas a que conseguiu sobreviver. Não que não se sinta isso em
outros estilos musicais; o Metal mudou muito entre os 80s, 90s e 00s,
assim como o rock, a música eletrónica e até a musica do mundo. O jazz
dos 60s é diferente dos 70s no sentido em que se viu invadido por várias
influências de outros estilos musicais que então surgiram. O mesmo
aconteceu nos anos 80s e a partir dos 90s e 00s, após influencias de
rock entre outros, o jazz tornou-se mais aberto e eclético, talvez tenha
encontrado uma outra auto-definição própria.Assim a história começa com os nomes mais clássicos e fortes do estilo, falamos aqui dos anos 30 e 40, estilos como o bebop. Os nomes que descobri/redescobri foram Duke Ellington, Charlie Parker, ou Dizzy Gillespie no cool jazz foram Miles Davis, Dave Brubeck, Bill Evans ou Thelonious Monk; sendo que o smooth passou-me completamente ao lado, parecendo-me que se trata mais de música com voz (coisa que não aprecio muito no jazz) e que teve radio hits na altura. Outras formas mais alternativas que me impressionaram como o free jazz com nomes como Coltrane (é verdade), Albert Ayler ou Cecil Taylor. o avant-garde com nomes como Ornette Coleman, Max Roach ou Sonny Rollins.
O interesse e descoberta começou por volta do ano 2007 e desde então vou sempre procurar o que se passa neste universo.
Tenho
de agradecer aos grandes e antigos nomes deste género, mas também devo
dizer que me agradou imenso descobrir grupos recentes, dos anos 2000 até
aos nossos dias, que produzem uma música bem diferente do que se fazia
em 1960 e que me marcou imenso. Menção honrosa para os Portico Quartet
(que não vi ao vivo no CCB porque não encontrei o bilhete) e para o
grande Esbjörn Svensson Trio e o seu hipnotizante "Leucocyte".
Tudo
isto me traz recordações marcantes dos meus 7 anos em Lisboa. Desde as
viagens até ao bairro alto, ao alto de Pina e à praça do Chile, passando
pela travessa do Possolo e indo até ao Oriente; do cais-do-sodré até Belém, da marginal de mota até Pinhal Novo de muletas; de Sintra
medieval até ao guincho.
Lisboa foi tão bom!
A.
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