quinta-feira, 1 de julho de 2010

grandes curtas

Ontem foi noite de teatro.
Fui ao festival de curtas, em Lisboa.

5 curtas, divididas pela sombra.
Navegamos pelas divisões do pequeno espaço por trás do mercado da ribeira, Lx.

1.Um anão com o humor como arma contra a sua condição. As piadas mordazes para fazer rir e expelir o que de mais/menos lhe incomoda.

2.Um problema de comunicação entre duas vítimas dos novos componentes da sociedade moderna. Toques de telemóvel, mensagens, problemas de comunicação, onde até o olhar é impedido pela ofuscação da confiança na lógica tecnológica.

3.O velho louco que suporta as questões do jovem irreverente/inquieto na estação sem comboios. A loucura faz parte de nós, quer queiramos quer não.
Este tema foi bem melhor debatido por Erasmo, no 'Elogia da Loucura' :) .

4.E surgiu o momento alto da noite.
A discussão entre dois membros de uma relação quebrada. Pelo tempo? Pelo desleixo? ou será pela incompatibilidade que sempre existiu e nunca foi observada?
Um super-homem caído, em desuso, vítima do quotidiano e duma relação que o asfixia.
A tentativa de suicídio por entre os gritos descontrolados à volta dele não o deixam pensar, ser. As perturbações, os incómodos que sente não o deixam respirar: "não me toquem!"
Questiona tudo o que o rodeia, a vida das pessoas, as escolhas que fazem, porque é que está vivo? "Por vezes só me apetece pousar a mão assim por cima do coração e ficar à espera que pare".
E para. Para nunca mais voltar a sentir essa dor/dúvida.
Não sem antes comer uma gelatina numa prato de plástico.

5. A dor do toque de papel, o ódio de o sentir e de não ser normal veio assombrar o quotidiano de uma jovem rapariga, incompreendida pelas pessoas que a rodeiam. Não faz mal, deixou de se relacionar com qualquer um deles.

boa noite,
A.

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