«Lovelessness»
(Metal
Blade Records)
Após os
aclamados primeiros trabalhos desta banda canadiana, que foram bem recebidos
pela crítica, vem este «Lovelessness» consolidar uma discografia assente num rock sujo, bruto e inconformado. Com uma forte
componente instrumental (o primeiro trabalho foi gravado sem voz), o conceito
inerte a este álbum é um grito contra a felicidade e o prazer; o desejo de mais
e sempre mais. Os gritos de uma voz sofrida nos momentos certos, levada pela
instrumental a pontos onde é dado o sentido a todo o intuito da música,
mostra-nos bem o que a banda pretende revelar. Sim, porque este album é uma
mensagem onde nos podemos reconhecer e identificar. Os ambientes aqui criados
são mesmo para nos transportar e levar o espírito para algures onde sem estes,
não conseguiríamos chegar. Se apesar da primeira faixa começar com um ritmo e
melodia mais calmo, é bem apreciada a energia do início do tema “Anxiety Puke /
Lovelessness” levando o ouvinte para outro “lugar”, e dar sentido ao que se
segue. Faixas como “Last and First Things” e “Blood Music” mostram-nos do que
são capazes estes rapazes para criar ambientes. “Clozapine Dream” repõe os
níveis do quer-que-seja que tenha sido perdido pelo caminho. E assim chegamos à
minha faixa favorita, “Finally Asleep”. Sem estar ainda bem adormecido pelo
cansaço, é-nos oferecido um ritmo brando, uma melodia suave, que nos embala.
Após 4 minutos temos um break-down e uma ameaça paira no ar; o ritmo acelera e
toca a acordar! O álbum termina entre melodia e ritmo. Adoro terminar assim.
[8/10]
A.
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